CARLOS GATO (Carlos Alberto Santos de Oliveira)
Carlos Alberto Santos de Oliveira, conhecido como Carlos Gato, foi sindicalista, vereador de Boquim e uma das principais lideranças sociais da região Centro-Sul de Sergipe. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Citricultura de Sergipe (Sindicitros), destacou-se pela defesa dos trabalhadores rurais, pelo combate ao trabalho infantil nos laranjais e pela luta por melhores condições de vida para famílias de baixa renda.
Sua atuação ultrapassou os limites de Sergipe, sendo reconhecida por organismos nacionais e internacionais como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em razão das denúncias sobre a exploração do trabalho infantil na citricultura sergipana. As mobilizações lideradas por Carlos Gato contribuíram para fortalecer as ações de combate ao trabalho infantil e a implantação do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) na região.
Atuação sindical
À frente do Sindicato dos Trabalhadores na Citricultura de Sergipe, Carlos Gato tornou-se uma das principais vozes em defesa dos trabalhadores rurais do estado. Além de denunciar a exploração da mão de obra infantil, também reivindicava melhores condições de trabalho e respeito aos direitos dos trabalhadores da citricultura.
Entre as causas defendidas por ele estava a melhoria das condições de transporte dos catadores de laranja. Na época, era comum que trabalhadores fossem levados para as fazendas e retornassem ao fim do expediente sobre caminhões carregados de laranjas, sem qualquer equipamento de segurança. Segundo relatos preservados na memória de trabalhadores e moradores de Boquim, Carlos Gato levou essa situação ao Ministério Público, contribuindo para que o transporte passasse a ser realizado em ônibus, proporcionando mais segurança e dignidade aos trabalhadores rurais.
Atuação política
Em 2000, Carlos Gato foi eleito vereador de Boquim. Durante o mandato, também ocupou funções de destaque no Legislativo municipal e em entidades representativas dos vereadores, mantendo uma atuação voltada às questões sociais e aos direitos dos trabalhadores. Paralelamente, realizava denúncias relacionadas ao trabalho infantil e a possíveis irregularidades em administrações públicas da região.
Mobilizações sociais
Além da atuação sindical e política, Carlos Gato participou de importantes mobilizações populares em Boquim.
Entre os episódios lembrados por moradores está o movimento pela ocupação do Conjunto João Bismark. A mobilização buscava garantir moradia para famílias sem casa própria e permanece na memória da população como uma das principais ações populares do município. As casas já estavam prontas, mas ainda não tinha sido realizado o sorteio para os moradores que estavam cadastrados para receber as unidades habitacionais.
Assassinato
Na noite de 22 de setembro de 2001, aos 34 anos, Carlos Gato foi assassinado em uma emboscada na cidade de Pedrinhas, quando saía de um bar na rua do Quim. O crime teve grande repercussão em Sergipe, no Brasil e também internacionalmente, em razão da notoriedade que havia conquistado na defesa dos direitos das crianças e dos trabalhadores rurais.
Seu sepultamento, realizado em Boquim, reuniu milhares de pessoas, entre familiares, trabalhadores, autoridades e representantes de entidades sindicais e da sociedade civil.
Investigações
As investigações apontaram a participação de diversas pessoas no crime. Ao longo dos anos, o processo teve vários desdobramentos judiciais. Em 2011, dois acusados de participação no assassinato foram condenados pelo Tribunal do Júri, enquanto outros investigados responderam a processos relacionados ao caso. O assassinato de Carlos Gato tornou-se um dos casos de maior repercussão da história recente de Sergipe.
Legado
Mais de duas décadas após sua morte, Carlos Gato continua sendo lembrado como uma das maiores lideranças sindicais da história de Boquim e da citricultura sergipana. Seu nome permanece associado à defesa dos trabalhadores rurais, ao combate ao trabalho infantil e às lutas sociais em favor da população mais humilde.
Na memória de muitos boquinhenses, Carlos Gato é recordado não apenas pelo trabalho desenvolvido como sindicalista e vereador, mas também pela coragem em enfrentar problemas sociais, defender melhores condições de trabalho e participar de movimentos populares que marcaram a história do município.



Carlos Gato, discursou no dia que fez movimento para invasão das casas do atual Conjunto João Bismark.

Carlos Gato, discursou no dia que fez movimento para invasão das casas do atual Conjunto João Bismark.
Por Deris Araujo
Pesquisa, adaptação e restauração de fotos.
