Ir para o conteúdo
Sexta-feira, 9 de outubro de 2026 Boquim Terra da Laranja e Plantas Ornamentais
EmBoquim
Escritores e Poetas
Celso Oliva

Celso Oliva

Celso Oliva: o artista multifacetado de Boquim que deixou sua marca na fotografia, na pintura, na literatura e na pesquisa

Celso Pinto de Oliva nasceu em Boquim, Sergipe, em 28 de dezembro de 1914. Odontologista, fotógrafo, pintor, poeta, contista e pesquisador, tornou-se um dos nomes de destaque da produção cultural sergipana de sua época, construindo uma trajetória marcada pela diversidade artística, pelo conhecimento e pela dedicação à cultura.

Conhecido artisticamente como Celso Oliva, desenvolveu ao longo da vida uma intensa atividade em diferentes áreas. Sua produção revela um artista de múltiplos talentos, com trabalhos influenciados pelo surrealismo e pelo classicismo, além de uma profunda sensibilidade para a paisagem, a natureza, o cotidiano e a cultura de Sergipe.

Destaque nacional na fotografia

Foi na fotografia que Celso Oliva alcançou uma de suas maiores projeções. Fundador e presidente da Sociedade Sergipana de Fotografia, participou ativamente da difusão e valorização da arte fotográfica em Sergipe, contribuindo para a formação de uma cultura fotográfica no estado.

Seu trabalho ultrapassou as fronteiras brasileiras. Celso Oliva expôs suas fotografias em diversos países e recebeu ao longo de sua carreira troféus, diplomas e medalhas, reconhecimento que demonstra a importância de sua produção no cenário fotográfico de sua época.

Entre suas principais conquistas está o troféu de melhor paisagem apresentada no X Salão Internacional de Fotografia, realizado em 1951, em São Paulo. Na ocasião, Celso Oliva concorreu com fotógrafos de 45 países, alcançando destaque internacional com seu trabalho.

A conquista consolidou seu nome entre os importantes fotógrafos brasileiros daquele período e demonstra a dimensão alcançada por sua produção artística.

Escritor e poeta

A criatividade de Celso Oliva também se manifestou na literatura. Como poeta e contista, publicou trabalhos em jornais e revistas de Aracaju e também no tradicional jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro.

Entre seus trabalhos literários está o conto “Samba, negro”, premiado em concurso literário promovido pela Academia Sergipana de Letras.

Sua produção literária revela outro aspecto de sua personalidade artística: a capacidade de observar a sociedade, a cultura e o cotidiano e transformá-los em narrativas e versos.

Pesquisador da história e da arqueologia sergipana

Celso Oliva também se destacou como pesquisador, percorrendo diferentes regiões de Sergipe em busca de vestígios dos primeiros habitantes do território.

Durante suas pesquisas, identificou diversos sambaquis e materiais de uso doméstico relacionados aos primeiros habitantes de Sergipe. Os resultados de seus estudos foram apresentados em trabalhos publicados em Aracaju e Maceió, além de serem tema de conferências realizadas pelo próprio pesquisador.

Essa atividade demonstra que sua atuação ia muito além das artes. Celso Oliva também se interessava pela história, pela arqueologia e pela preservação da memória e do patrimônio cultural sergipano.

A pintura como outra forma de expressão

Na pintura, Celso Oliva também alcançou reconhecimento. Produziu diversas telas que passaram a integrar pinacotecas e coleções de importantes cidades brasileiras, entre elas Aracaju, Maceió, Salvador, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e São Paulo.

Algumas de suas obras chegaram a integrar o acervo do Museu de Sergipe, em São Cristóvão, contribuindo para preservar parte da produção artística de um dos mais versáteis artistas nascidos em Boquim.

Sua pintura, assim como sua fotografia, evidencia o olhar sensível que possuía sobre a paisagem, a natureza e o universo ao seu redor.

Um legado que permanece

Celso Pinto de Oliva faleceu em Brasília, em fevereiro de 1963, encerrando uma trajetória de apenas 48 anos, mas deixando uma produção que atravessou diferentes campos da cultura.

Fotógrafo premiado internacionalmente, pintor, poeta, contista, pesquisador e odontologista, Celso Oliva representa uma geração de intelectuais e artistas sergipanos que contribuíram para ampliar a presença de Sergipe no cenário cultural brasileiro.

Em reconhecimento à sua importância, seu nome foi eternizado em espaços públicos. Em Boquim, sua cidade natal, uma praça recebeu o nome de Celso Oliva. Em Aracaju, uma rua localizada no bairro 13 de Julho também homenageia o artista.

Mesmo que parte significativa de sua produção ainda seja pouco conhecida pelo grande público e muitas de suas obras não estejam disponíveis em acervos digitais, sua trajetória permanece como parte importante da história cultural de Sergipe.

Celso Oliva é, portanto, um dos grandes exemplos da riqueza cultural de Boquim: um homem que transitou pela odontologia, fotografia, pintura, literatura e pesquisa, levando o nome de sua cidade natal para além das fronteiras de Sergipe e contribuindo para a história das artes e da cultura brasileira.


REFLEXOS

Areia morena da praia,

Molhada de àgua do mar

Ondas rolando, rolando...

Subindo e descendo,

Gritando, bufando, rugindo,

Fazendo:

Tchuàa, tchuàa...


Areia morena da praia,

Espelho polido, imenso do céu,

Cantando ou gemendo, debaixo dos pés,

Areia molhada, correndo com a vela

Oue passa com o vento,

Bem perto,

Voando com as asas dos pássaros

Que planam,

Baixinho. . .


Ser enterrado na praia, eu queria,

Quando morrer,

Sob a areia morena da praia.

E as ondas subindo e descendo

Fazendo:

Tchuàa, tchuàa. . .


E passariam sobre mim

Os pescadores e as crianças

E as ondas tão brancas, do mar.

E as mulheres de seios bronzeados

Ficariam refletidas,

Plasmadas,

Na areia molhada.


Quando as noites fossem claras,

De estio

E as luzes estivessem acesas

Como tochas, no céu,

Teria sobre meu peito,

Os astros todos da Via Láctea.'


← Ver todos: Escritores e Poetas