José Umberto Dias
Cineasta, crítico, escritor e pesquisador do cinema brasileiro, nascido em Boquim
José Umberto Dias nasceu em 26 de maio de 1949, em Boquim, Sergipe. Cineasta, crítico de cinema, roteirista, fotógrafo, montador, escritor, dramaturgo e poeta, construiu uma trajetória marcada pela produção cinematográfica, pela pesquisa sobre a memória do cinema e pela valorização da cultura brasileira e baiana.
Ainda jovem, mudou-se para a Bahia. Em 1957, foi para Feira de Santana e, posteriormente, em 1965, para Salvador, onde desenvolveu grande parte de sua trajetória artística e cinematográfica.
O início no cinema
Em 1968, enquanto cursava Ciências Sociais na Universidade Federal da Bahia (UFBA), José Umberto iniciou sua formação cinematográfica no Grupo Experimental de Cinema.
Formou-se em 1971 e, a partir desse período, passou a desenvolver uma trajetória ligada à realização, à crítica e à pesquisa cinematográfica.
Em 1972, realizou seu primeiro longa-metragem de ficção, O Anjo Negro, filmado em 35 mm.
Durante a década de 1970, também participou da chamada Geração Super-8 do cinema baiano, utilizando o formato como espaço de experimentação e produção independente.
Entre seus trabalhos desse período estão filmes como Brabeza, realizado em parceria com Robinson Roberto, e Maíra, também realizado com Robinson Roberto.
Atuação na cultura cinematográfica da Bahia
Entre 1976 e 1977, José Umberto atuou como coordenador da área de Imagem e Som da Fundação Cultural do Estado da Bahia.
Nas décadas seguintes, ampliou sua atuação na produção audiovisual, realizando documentários e vídeos para a TVE Bahia e o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB).
Entre seus trabalhos documentais estão:
- Monte Santo – O Caminho da Santa Cruz;
- Salvador em Película – Um Século de Memória;
- Memória em Película – A Bahia e o Estado Novo;
- A Capoeiragem na Bahia;
- O Povo do Carnaval.
A documentação reunida para o Acervo EmBoquim inclui uma publicação do IRDEB de junho de 1999 que anuncia a exibição de Memória em Película – A Bahia e o Estado Novo, constituindo um registro documental da circulação de seu trabalho pela televisão pública baiana.
Cinema e memória
Uma das dimensões mais marcantes da trajetória de José Umberto Dias é sua atuação como pesquisador e preservador da memória cinematográfica.
Seu trabalho não se limitou à realização de filmes. Ao longo de sua trajetória, também pesquisou, escreveu e organizou obras relacionadas à história do cinema brasileiro e, especialmente, do cinema baiano.
Entre esses trabalhos está a organização de A história do cinema vista da província, de Walter da Silveira, publicada em 1978.
Posteriormente, José Umberto organizou os quatro volumes de Walter da Silveira – O eterno e o efêmero, publicados em 2006.
Sua participação na preservação da obra de Walter da Silveira também é registrada em estudos acadêmicos sobre a formação da cultura cinematográfica na Bahia.
Walter da Silveira – O eterno e o efêmero
A publicação Walter da Silveira – O eterno e o efêmero, organizada por José Umberto Dias, representa uma importante contribuição para a preservação da memória da crítica cinematográfica baiana.
A obra reúne textos e registros relacionados à trajetória de Walter da Silveira, um dos nomes fundamentais da cultura cinematográfica da Bahia.
O trabalho de organização realizado por José Umberto demonstra sua atuação não apenas como cineasta, mas também como pesquisador e responsável pela preservação da memória de outros importantes nomes do cinema.
Pesquisa sobre o cinema brasileiro
A atividade de pesquisa de José Umberto também alcançou personagens importantes da história do cinema brasileiro.
No primeiro volume dos Cadernos de Pesquisa, publicação do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro em parceria com a Embrafilme, José Umberto assinou o estudo “Benjamin Abrahão, o mascate que filmou Lampião”.
O trabalho aborda Benjamin Abrahão, fotógrafo e cinegrafista responsável por importantes registros de Lampião e seu grupo.
O exemplar de Cadernos de Pesquisa presente no conjunto documental encaminhado ao Acervo EmBoquim constitui uma importante evidência material dessa atuação de José Umberto como pesquisador da história do cinema brasileiro.
O cinema e o cangaço
O interesse de José Umberto pela história do Nordeste também se manifesta em sua extensa pesquisa sobre o cangaço.
Esse trabalho resultou no longa-metragem Revoada, desenvolvido a partir de pesquisas realizadas pelo cineasta ao longo de aproximadamente duas décadas.
O filme aborda acontecimentos posteriores à morte de Lampião e acompanha um grupo de cangaceiros diante da decisão entre continuar a luta ou se entregar.
Em 2005, o projeto recebeu do Ministério da Cultura um prêmio de estímulo à produção cinematográfica de baixo orçamento.
A pesquisa sobre o cangaço também aparece entre os materiais relacionados à trajetória intelectual do cineasta, incluindo a publicação Cangaço – O Nordeste no Cinema Brasileiro.
Teatro, literatura e outras linguagens
A produção artística de José Umberto Dias ultrapassa o campo cinematográfico.
Sua trajetória também reúne dramaturgia, literatura e poesia.
Em 1984, escreveu e dirigiu o espetáculo teatral O Beijo Final.
Entre os documentos reunidos para o Acervo EmBoquim encontra-se ainda a publicação teatral Desconhece-te, identificada como obra de teatro de José Umberto.
Esses trabalhos revelam a amplitude de sua produção artística e sua atuação em diferentes linguagens.
Boquim – Terra da Laranja
Entre os trabalhos de maior significado para a memória de sua cidade natal está o documentário Boquim – Terra da Laranja, realizado em 1991, com duração de 41 minutos.
O filme registra Boquim, cidade onde José Umberto nasceu, estabelecendo uma relação direta entre sua produção cinematográfica e suas origens sergipanas.
A obra permaneceu como importante registro audiovisual sobre o município.
Em 2025, Boquim – Terra da Laranja integrou uma programação da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro dedicada à obra de José Umberto Dias.
O documentário possui um significado especial para Boquim por registrar cinematograficamente a cidade natal de seu realizador.
O olhar para a preservação da memória
A preocupação de José Umberto com a preservação da memória cinematográfica também aparece em sua relação com a obra de outros realizadores.
Em 2021, durante uma homenagem a Glauber Rocha promovida pela Associação Bahiana de Imprensa, José Umberto relatou sua relação de longa data com materiais relacionados ao cineasta, incluindo recortes de jornais e revistas, fotografias, filmes, entrevistas e livros.
Esse interesse pela preservação da memória ajuda a compreender a unidade existente entre diferentes aspectos de sua trajetória: realizar filmes, pesquisar a história do cinema, escrever sobre seus personagens e preservar documentos relacionados à produção cultural brasileira.
Um nome de Boquim na história do cinema
Nascido em Boquim e formado artisticamente na Bahia, José Umberto Dias construiu uma trajetória de mais de cinco décadas ligada ao cinema e à cultura brasileira.
Sua produção reúne cinema de ficção, documentário, experimentação audiovisual, crítica cinematográfica, pesquisa histórica, fotografia, roteiro, montagem, literatura e teatro.
Sua obra também mantém uma relação permanente com a memória: a memória do cinema, da Bahia, do Nordeste e, de maneira especial, de sua cidade natal.
Ao realizar Boquim – Terra da Laranja, José Umberto voltou sua câmera para a cidade onde nasceu. Ao pesquisar a história do cinema brasileiro, ajudou a preservar a memória de outros realizadores. Ao produzir Revoada, transformou décadas de pesquisa sobre o cangaço em obra cinematográfica.
Sua trajetória estabelece uma importante ligação entre Boquim, Sergipe e a história do cinema brasileiro.
Para o Acervo EmBoquim, preservar a história de José Umberto Dias significa reconhecer a trajetória de um filho de Boquim que levou o nome de sua cidade natal para diferentes espaços da cultura, da pesquisa e do cinema brasileiro.
Documentos e fotografias
As fotografias, livros, revistas e demais documentos apresentados nesta página fazem parte do conjunto documental relacionado à trajetória de José Umberto Dias e foram disponibilizados para o Acervo EmBoquim.
Esses registros ajudam a documentar diferentes momentos de sua atuação como cineasta, pesquisador, escritor, dramaturgo e preservador da memória cinematográfica.
Sempre que possível, os documentos são apresentados próximos aos trechos da biografia aos quais estão relacionados, permitindo que o leitor compreenda o contexto histórico de cada registro.










Acervo documental cedido por José Umberto Dias ao Acervo EmBoquim.
Pesquisa: Deris Araujo
