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Sexta-feira, 17 de julho de 2026 Boquim Terra da Laranja e Plantas Ornamentais
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A História da Laranja em Boquim

Boquim é reconhecida nacionalmente como a Capital Nacional da Laranja, título conquistado graças ao trabalho de gerações de agricultores, pesquisadores e gestores públicos que transformaram a citricultura na principal atividade econômica do município durante grande parte do século XX.

Essa história começou há mais de cem anos e continua sendo escrita até os dias atuais.

O início da cultura da laranja

Por volta de 1920, foram cultivadas em Boquim as primeiras mudas da variedade Laranja-da-Bahia. Naquela época, a economia da região era baseada principalmente no cultivo do algodão e na pecuária.

O pioneiro dessa nova cultura foi Germiniano Fernandes da Fonseca, que trouxe as primeiras mudas da Bahia. Mesmo enfrentando desconfiança de muitos agricultores, acreditou no potencial da citricultura e iniciou os primeiros plantios comerciais da região.

Com os bons resultados e a valorização da fruta no mercado, outros produtores passaram a investir na cultura da laranja, inicialmente em consórcio com coqueiros e outras lavouras.


O crescimento da citricultura

A grande expansão da citricultura aconteceu a partir de 1966, quando a então ANCAR-SE iniciou um amplo trabalho de assistência técnica aos produtores rurais.

Com orientação técnica e acesso ao crédito rural, a área cultivada com citros cresceu rapidamente, colocando Sergipe entre os principais produtores do Nordeste.

Um marco importante ocorreu em 1971, com a criação da Estação Experimental de Boquim, pela Superintendência da Agricultura e Produção (SUDAP). A unidade tornou-se referência em pesquisa agrícola e passou a desenvolver tecnologias específicas para a produção de citros.

José Trindade e o fortalecimento da pesquisa

Entre os grandes nomes da citricultura sergipana destaca-se o engenheiro agrônomo José Trindade.

Reconhecido como um dos maiores especialistas em citricultura de Sergipe, dedicou décadas ao desenvolvimento de pesquisas voltadas para o aumento da produtividade, seleção de variedades, combate às doenças e produção de mudas de alta qualidade.

Durante sua atuação na Estação Experimental de Boquim, coordenou importantes projetos que modernizaram a produção de citros e ajudaram milhares de produtores rurais.

Um dos maiores avanços foi a organização da produção de mudas certificadas, com a seleção de plantas matrizes e a capacitação de viveiristas. As sementes e borbulhas distribuídas pela estação garantiam mudas mais sadias, resistentes e produtivas, elevando significativamente a qualidade dos pomares sergipanos.

Sua contribuição ultrapassou a área técnica. José Trindade também exerceu o cargo de prefeito de Boquim por dois mandatos, sempre mantendo forte ligação com o desenvolvimento da agricultura e da citricultura.

O auge da produção

Nas décadas de 1970 e 1980, a citricultura viveu seu período de maior crescimento.

A produção sergipana alcançou destaque nacional, ficando atrás apenas do Estado de São Paulo. A laranja produzida em Sergipe conquistou mercado por apresentar sabor mais doce, sendo muito procurada para consumo in natura.

Grande parte da produção era comercializada para estados como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Boquim consolidou-se como o principal centro produtor do estado, tornando-se conhecida em todo o Brasil como a Capital Nacional da Laranja.

A crise da citricultura

No final da década de 1990, a citricultura começou a enfrentar dificuldades.

Os pomares envelheceram, surgiram novas doenças, a produtividade caiu e muitos agricultores reduziram ou abandonaram a atividade. A necessidade de renovar os plantios tornou-se urgente para evitar o enfraquecimento da principal cadeia produtiva da região.

A revitalização da citricultura sergipana

Diante desse cenário, em 2003, durante o governo de João Alves Filho, foi lançado o Programa de Revitalização da Citricultura Sergipana, considerado um dos maiores investimentos públicos já realizados para recuperar a atividade no estado.

O programa reuniu ações voltadas para a renovação dos pomares, produção de mudas certificadas, assistência técnica, pesquisa, controle fitossanitário e capacitação dos produtores.

Boquim tornou-se novamente o centro das ações.

Na época, o município era administrado pelo prefeito Luiz Fonseca (2001–2004), cuja gestão trabalhou em parceria com o Governo do Estado para fortalecer a estrutura do Centro de Fruticultura de Boquim e ampliar a produção de mudas de qualidade.

Foram implantados viveiros telados, atendendo às exigências do Ministério da Agricultura para a produção de mudas certificadas e livres de doenças.

Um patrimônio de Boquim

Mais do que uma atividade econômica, a laranja faz parte da identidade de Boquim.

Ela impulsionou o crescimento do município, gerou milhares de empregos, fortaleceu o comércio local e tornou a cidade conhecida em todo o Brasil.

Desde os primeiros plantios realizados por Germiniano Fernandes da Fonseca, passando pelas pesquisas lideradas por José Trindade e chegando ao programa de revitalização implantado no início dos anos 2000 durante o governo João Alves Filho, com o apoio da gestão municipal de Luiz Fonseca, a história da citricultura mostra como diferentes gerações contribuíram para construir o maior patrimônio agrícola de Boquim.

Hoje, preservar essa história significa também reconhecer o trabalho dos agricultores, pesquisadores, técnicos e gestores que fizeram da laranja o principal símbolo do município e uma das maiores riquezas do centro-sul sergipano.


Por Deris Araujo | EmBoquim

Fontes: Acervo Boquim.com; pesquisas históricas organizadas por Deris Araujo; documentos sobre a citricultura sergipana; registros da Estação Experimental de Boquim e do Programa de Revitalização da Citricultura.