Lídia Fontes de Oliveira
Uma vida dedicada à educação, à família e à memória de Boquim
Lídia Fontes de Oliveira nasceu em 3 de agosto de 1925, em Boquim, Sergipe, filha de Honorino Dias da Silveira e Antídia Fontes Silveira. Sua família possuía importantes vínculos com a cultura sergipana. Antídia era irmã do consagrado poeta sergipano Hermes Fontes, o que aproximou Lídia, desde cedo, de um ambiente marcado pela literatura, pela cultura e pelo apreço às palavras.
Desde jovem, Lídia escolheu a educação como caminho profissional. Tornou-se professora e dedicou boa parte de sua vida ao ensino, contribuindo para a formação de diferentes gerações de estudantes.
Sua trajetória como educadora passou por importantes instituições de ensino de Boquim. Lecionou no povoado Pimenteira, no Grupo Escolar Severiano Cardoso e também no Ginásio Santa Teresinha, instituição na qual, além de professora, exerceu a função de secretária.
Sua atuação na educação ultrapassou a simples transmissão de conhecimentos. Como professora, participou de uma época em que o trabalho dos educadores tinha papel fundamental na formação cultural e social das comunidades do interior sergipano. Para muitos de seus alunos, a escola representava uma das principais portas de acesso ao conhecimento, e professoras como Lídia tiveram papel decisivo nessa construção.
Na vida pessoal, Lídia casou-se com o professor Oliveira, com quem constituiu uma família. O casal teve quatro filhos, que seguiram diferentes caminhos profissionais: um médico, uma odontóloga, uma administradora de empresas e uma professora e guia de turismo.
A família cresceu ao longo das décadas e Lídia tornou-se avó de nove netos e bisavó de cinco bisnetos, construindo uma história familiar que atravessa várias gerações.
“Versos de Uma Vida”
Além da educação, Lídia também cultivou a memória e a escrita. Ao completar 90 anos, decidiu registrar parte de suas lembranças e experiências em um livro de memórias intitulado “Versos de Uma Vida”.
A obra representa não apenas uma recordação pessoal, mas também um registro de uma época. Ao colocar no papel suas lembranças, Lídia preservou fragmentos de sua trajetória, de sua família e do ambiente social em que viveu, contribuindo para manter viva a memória de uma geração de boquinenses.
Sua história é também parte da história de Boquim, especialmente de um período em que a educação, a escola e os professores ocupavam um lugar central na vida das pequenas comunidades.
Uma vida que atravessa gerações
Atualmente, Lídia reside em Aracaju. Aos 96 anos, permanecia totalmente lúcida, preservando suas lembranças e a capacidade de recordar acontecimentos de uma longa trajetória marcada pelo trabalho, pela educação e pela família.
Sua história pode ser vista como um testemunho de um século de transformações. Nascida em Boquim em 1925, Lídia acompanhou profundas mudanças na sociedade, na educação e na própria cidade, enquanto construía sua trajetória como professora, esposa, mãe, avó e bisavó.
As fotografias que acompanham este registro ajudam a contar essa história. Em uma delas, Lídia aparece atualmente, aos 96 anos. Em outra, aparece à direita, ao lado de suas duas irmãs, Alina e Maria Fontes, conhecida como Luly, revelando também os laços familiares que fizeram parte de sua trajetória.
A vida da professora Lídia Fontes de Oliveira permanece, assim, como uma importante lembrança da história de Boquim e de suas mulheres educadoras. Uma história construída com dedicação ao ensino, amor à família e, sobretudo, com o cuidado de preservar através da memória aquilo que o tempo jamais deveria apagar.

Lídia aos 96 anos

Lidia e o esposo professor Oliveira

irmãs, Alina e Maria Fontes
Fonte: Deris Araujo, pesquinsa na internet,