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Data center de IA na Amazônia gera polêmica por risco de aumento de temperatura

Empreendimento de R$ 250 milhões em Belém é alvo de inquérito do Ministério Público por possível formação de 'ilhas de calor' e ausência de licenciamento ambiental.

Por Deris Araujo · 09/08/2026
Data center de IA na Amazônia gera polêmica por risco de aumento de temperatura

O primeiro data center voltado para inteligência artificial na Amazônia, previsto para começar a operar em Belém no segundo trimestre de 2027, virou alvo de investigação do Ministério Público do Pará. O inquérito civil questiona os riscos de formação de 'ilhas de calor' e a falta de licenciamento ambiental adequado.

O projeto, chamado BEL1, será instalado na área portuária de Miramar, no bairro do Barreiro. A empresa responsável, Elea Data Centers, prevê investimento de R$ 250 milhões. Na fase inicial, a capacidade será de 7,5 megawatts de energia — potência suficiente para abastecer mais de 22,5 mil residências da região Norte, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Energética.

Preocupação com aumento de temperatura

O promotor Márcio Maués, da 1ª Promotoria de Justiça de Barcarena, investiga a legalidade da instalação e os riscos de 'dano climático'. A preocupação tem base em pesquisa da Universidade de Cambridge, que analisou mais de 8 mil data centers de IA no mundo entre 2004 e 2024. O estudo aponta que essas estruturas podem elevar a temperatura média da superfície terrestre em 2°C, com picos que chegam a 9,1°C.

Os efeitos térmicos se propagam por até 10 quilômetros, segundo a pesquisa, que utilizou dados de satélite da NASA. O aquecimento médio do solo fica em torno de 1°C em um raio de até 4,5 km das instalações.

Falta de consulta à população

O Ministério Público aponta que não foram realizadas consultas públicas com moradores dos bairros próximos, como Miramar, Barreiro, Sacramenta e Pratinha. Comunidades ribeirinhas, como a Ilha das Onças, localizada a apenas 4,5 km do local, também não foram ouvidas, desrespeitando a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho.

O empreendedor e ambientalista Murilo Monteiro, morador do bairro da Sacramenta, afirmou que não houve comunicação com a comunidade local. Juliano Ximenes, pesquisador da UFPA, alertou que os equipamentos dissipam energia na forma de calor em uma área que já registra sensações térmicas de 34°C ou mais. O professor também apontou risco de poluição sonora severa, com possibilidade de ruídos atingirem 96 dB, enquanto a lei de Belém limita a 65 dB.

Ausência de regulamentação específica

O Brasil não possui regulamentação ambiental específica para instalações de data centers. A Secretaria de Meio Ambiente de Belém informou, em ofício de julho de 2026, que não há processo de licenciamento ambiental para o empreendimento. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará também confirmou que não possui processo em andamento.

A empresa Elea afirmou, em nota, que as licenças ambientais estão sendo solicitadas dentro dos prazos legais. O CEO Alessandro Lombardi garantiu que o projeto usará sistemas de refrigeração por ar-condicionado e que estudos de impacto térmico mais profundos seriam realizados apenas para a fase de expansão de 100 megawatts.

A energia será fornecida pela Axia Energia, que possui 81 usinas e responde por 17% da capacidade de geração do país. Segundo a empresa, o data center terá infraestrutura para processar transações bancárias, prontuários eletrônicos e sistemas judiciais, reduzindo a dependência de servidores em outras regiões.

Com informações do g1.globo.com.

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